INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ

“Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do
Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-lhes a observar tudo o que vos
tenho ordenado” (Mt 28,19-20)”

Com o objetivo de atender a esse mandato precisamos encontrar maneiras de ajudar nossos irmãos batizados a crescerem na fé, até à plena maturidade, firmes e perseverantes, dando frutos de vida cristã esperados.
A “Igreja – casa de iniciação à vida cristã” – é a segunda urgência do 11º Plano de Pastoral da nossa Arquidiocese, que queremos continuar a incrementar em 2014. O subsídio, fruto do trabalho da equipe de animação bíblico-catequética da Arquidiocese de São Paulo, tem a finalidade de suscitar em todas as paróquias e organizações da Igreja na Arquidiocese de São Paulo uma séria reflexão sobre a iniciação à vida cristã e a busca de caminhos eficazes para realizá-la; com a colaboração de todos e com as reflexões e sugestões recolhidas, serão reelaboradas as Diretrizes para os Sacramentos de iniciação à vida cristã e também para a catequese.
O tema da Iniciação à Vida Cristã insere-se na preocupação missionária que permeia toda a ação da Igreja, preocupada com a secularização crescente em todo o mundo. A Exortação Apostólica Evangelii Gaudium do Papa Francisco, também fruto do Sínodo dos Bispos sobre “a nova evangelização para a transmissão da fé cristã” faz um forte apelo para a Igreja e traz também um grande estímulo nesse sentido.
O aprofundamento do processo de iniciação à vida cristã em nossas comunidades deverá envolver de modo especial as pastorais de animação e acompanhamento do processo catequético de iniciação, como batismo, crisma, eucaristia, também voltados aos adultos, já batizados, mas não bastante iniciados à fé e à vida cristã, em estreita articulação com a liturgia.
Muito mais que a organização de cursos que se inspiram numa pedagogia de escola, o processo de iniciação se inspira na experiência catecumenal das primeiras comunidades cristãs. É nessa direção que se encaminha a nova evangelização exigida pelos tempos atuais e que exige uma verdadeira conversão pastoral.
A Iniciação Cristã compreende o processo pelo qual alguém é incorporado ao mistério de Cristo Jesus. Não se restringe à catequese, mas inclui especialmente a ação celebrativo-litúrgica. A catequese é uma etapa, a mais longa e importante, do processo de inserção na fé cristã. A real iniciação acontece na celebração dos sacramentos do Batismo, Eucaristia e Crisma, chamados de Sacramentos da Iniciação. Trata-se de uma iniciação denominada sacramental.
Segundo a Igreja todo batizado é incorporado em Cristo Jesus e começa a fazer parte de seu Corpo Místico, do Povo de Deus, da Igreja. Porém, a expressão iniciação cristã passou a significar todo o processo pós-batismal percorrido para se chegar a esta profunda realidade da fé do ponto de vista experiencial e existencial. É a iniciação que, uma vez realizada sacramentalmente, faz com que a pessoa se conscientize, assuma e viva plenamente a realidade da vida divina comunicada pelo mergulho (batismo) em Cristo Jesus.
Diante da realidade na qual a família não mais educa na fé e tampouco exerce um catecumenato social Aparecida, nos convida a uma “conversão pastoral e renovação missionária…” (no. 375; cf 172-173; 11, 450…). Esse esforço em se assumir o processo da a Iniciação à Vida Cristã corresponde a colocar em prática as propostas do Diretório Nacional de Catequese, de Aparecida, da Missão Continental… entre outros documentos. Agora não se trata de fazer algumas alterações em nossas práticas catequéticas, mas de assumir um novo modelo, um novo paradigma.
Esse novo olhar deve ter reflexos no comportamento de cada um dos envolvidos. Mais do que formativa a Iniciação à Vida Cristã tem um caráter performativo.
Trata-se de aderir conscientemente a um projeto de vida, de ter um encontro pessoal com Jesus Cristo. E, nesse sentido, percebemos que são os adultos os que precisam de um processo bem vivido de iniciação, pois, para entrar em um novo projeto de vida são necessárias etapas de aproximação.
Lembramos, ainda, que o processo de iniciação acontece sempre com relação ao mistério; é mergulho pessoal no mistério; ele está presente também no centro da fé. Jesus fala do Reino usando a categoria de mistério: “A vós é confiado o mistério do Reino de Deus” (Mc 4,11; Mt 13,11; Lc 8,10). O Apóstolo Paulo sintetiza a intuição que norteou a sua vida e que transparece de todas as cartas com estas palavras: “sou ministro…do mistério que esteve oculto durante séculos e gerações e que, agora, se manifestou aos seus santos …isto é, Cristo em vós, a esperança da glória” (Cl 1,25-27).
A Iniciação Cristã possui quatro características que definem sua natureza: 1): ela é obra do amor de Deus. 2) Esta obra divina se realiza na Igreja e pela mediação da Igreja. 3) Requer a decisão livre da pessoa. 4) Trata-se da participação humana no diálogo da salvação
O itinerário da iniciação cristã inclui sempre “o anúncio da Palavra, o acolhimento do evangelho, que implica a conversão, a profissão de fé, o Batismo, a efusão do Espírito Santo, o acesso à comunhão eucarística” (CIC, 1229).
Os fundamentos da vida cristã são colocados pelos sacramentos da iniciação cristã: Batismo, Confirmação e Eucaristia. Esses sacramentos constituem a base da vocação comum de todos os discípulos, chamados à santidade e à missão evangelizadora no mundo. O Batismo nos insere no Mistério da Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, nos faz novas criaturas nele, filhos de Deus e irmãos uns dos outros, e participantes de seu tríplice múnus: sacerdotal, profético e real. Este grande dom nos é dado através da Igreja, nossa mãe, sacramento vivo e encarnado do Corpo Místico de Cristo. O sacramento da Confirmação consolida esta realidade batismal, vinculando-nos mais perfeitamente à Igreja, enriquecendo-nos com a força especial do Espírito Santo, e ungindo-nos para a missão de discípulo e testemunha de Cristo. A Eucaristiaé “fonte e ápice de toda a vida cristã” (LG 11), pois ela realiza a comunhão de vida com Deus e com os irmãos, no mistério do corpo místico de Cristo. Ela é o memorial da Páscoa de Cristo, e atualiza para a nossa vida a obra da salvação realizada pela Vida, Morte e Ressurreição de Cristo. Ela é alimento de vida, pela comunhão do Corpo e o Sangue de Cristo, alimento de vida eterna.
E, assim fica o desafio lançado em Aparecida: “Ou educamos na fé, colocando as pessoas realmente em contato com Jesus Cristo e convidando-as para seu seguimento, ou não cumpriremos nossa missão evangelizadora” (nº 287; cf. 286-294).

Por : Edna Márcia Perez Pires
Coord. Catequese Região Ipiranga
Membro da Coord. Arquidiocesana

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