Fé e Política

Se perguntarmos para uma grande parte da população ‘como estão?’, com certeza a resposta será: “estamos sobrevivendo”, com um tom de quem acaba de sair derrotado de uma batalha e com uma pequena ponta de esperança no ano que vai despontando. Não é difícil entender este tom se levarmos em conta o descaso com que a população vem sendo tratada, basta olharmos os últimos acontecimentos (dinheiro na cueca, na meia, agradecimentos a Deus pela vida daqueles que desviam dinheiro, etc…) enquanto pessoas ficam desabrigadas pela chuva. Tudo isso ajuda para que a esperança em um ano melhor vá diminuindo, ano este que é de eleição, onde os principais cargos públicos deverão ser preenchidos.

Onde nós cristãos nos encaixamos em tudo isso e qual é a relação da fé com a política? Essa talvez seja uma pergunta que muitos se fazem, podemos tentar responder a esse questionamento, se enxergarmos que a fé e a política são duas grandezas que caminham lado a lado, a política é uma dimensão interna da fé praticada no social.

Se olharmos a política a luz do Evangelho veremos que não se fala de aumento de salário, em que partido se filiar ou em quem votar, mas fala da opressão e da falta de dignidade sofrida por um determinado povo, é evidente que o Evangelho deve iluminar todo o agir humano. Contudo, não significa que devamos buscar nas palavras evangélicas um modelo político elaborado para todos os tempos e lugares. O Evangelho, na verdade, não oferece técnicas, instrumentos de análises da realidade política ou elementos de planificação social e econômica, o Evangelho, anuncia Jesus Cristo como nosso Salvador, que ilumina todo homem (cf. Jo 1,9) também na sua atividade pessoal e comunitária, Jesus Cristo faz a cada homem uma série de exigências fundamentais com relação ao seu destino eterno. Estas exigências o Evangelho as resume na palavra “conversão”. Conversão não consiste em passar a praticar exercícios piedosos.

Conversão é mudança radical do projeto humano na sua totalidade: o projeto humano passa a ter em Deus a sua referência de origem, ao mesmo tempo em que é a sua orientação final.

Deus se manifesta como sentido profundo da vida, como aquele que sacia toda sede humana de realização. A conversão afeta, também a vida política, suprema manifestação da sociabilidade do homem. A conversão dá ao cristão uma compreensão mais radical e profunda dos conflitos humanos.

A tarefa de discernir no campo da fé e da política, sobre o correto agir cristão em um preciso contexto histórico, só pode ser levado a termo na relação do Evangelho com Realidade. O Evangelho nos dá um conjunto de critérios e valores que só podem ter eficácia histórica na medida em que iluminam opções e práticas concretas em um dado contexto histórico, situando nós cristãos como principais articuladores entre a fé e a política.

Por. Rogério da Silva – Catequista – Região Episcopal Brasilândia –

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Um pensamento sobre “Fé e Política

  1. Dilson Moreira disse:

    Muito bom! Precisamos nos articular na Região Brasilândia e retomar a caminhada das Pastorais sociais rumo à revitalização das relações de Fé e Política um tanto adormecidas.

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