“460 anos da Cidade de São Paulo”

O aniversário da maior cidade brasileira é marcado pelo dia da conversão de São Paulo. Paulo era um judeu pertencente ao grupo de religiosos fervorosos que pregavam a obediência absoluta da Lei para fortificar o povo de Deus e enfrentar o poder do império romano. Ele perseguia os cristãos por conta de que os seguidores de Jesus Cristo tinham a ilusão da misericórdia e isso enfraqueceria o movimento farisaico. Vivia, portanto, sob a cegueira cultural que o impedia de ver a realidade e o caminho proposto por Jesus Cristo e até que no caminho em direção a Damasco deparou-se com a cegueira física. Desconhecedor da proposta do Reino, violentava as pequenas comunidades de fé, amor e solidariedade.

Convertido se torna um grande apóstolo! Anunciador da Boa Nova em lugares não atingidos. Um homem de forte carisma e de uma coragem invejável! Homem que buscava sua condição de cidadão na terra e no céu. Por isso seu compromisso efetivo com as obras concretas da fé e a busca incansável pela salvação em Cristo.

Comemoramos 460 anos de fundação de uma cidade que foi ganhando, no desenrolar de sua história, projeções que a torna um país dentro de um imenso continente que é o Brasil. Fundada na data da conversão do apóstolo que lhe dá o nome.

Como Paulo, reconheçamos nossa cegueira pessoal, comunitária e sócio-política. A cegueira que invade nossa condição de pessoa humana. Somos cegos na cidadania e não vemos para além da nossa própria realidade ou mundinho.

Alguns, diante de tanto sofrimento e abandono, mergulham na cegueira coletiva e deixam-se levar pelo modismo do consumo e da indústria cultural para aliviar a escuridão em que se vive.

Ao celebrar os 460 anos da Cidade de São Paulo enfrentemos a cegueira pessoal e social para tornar a vida nesta grande metrópole num sinal da construção do Reino. Muitos clamam por visibilidade:

– os homens e mulheres escravizados pelas regras do mercado, levados a trabalhar pela sobrevivência, desviados das condições da vida em plenitude;

– os homens e mulheres em situação de dependência química espalhados por cracolândias visíveis e invisíveis;

– as crianças e adolescentes que estão abandonados, sem oportunidade de uma família ou de políticas públicas;

– os homossexuais que são violentados por preconceito e discriminação;

– os jovens que anseiam por espaços de lazer e cultural, promovendo seus rolezinhos em espaços de consumo e, por isso, são tolhidos de forma violenta pela força policial;

– a população de idosos e idosas, que é crescente em nossas comunidades e anseiam por políticas para além da recreação e lazer, como acessibilidade e inclusão;

– a situação da população carcerária que vive numa estrutura penitenciária crescente de violência em detrimento da ressocialização; e

– a mobilidade humana, que é inviável numa cidade como a nossa por conta do número crescente de carros e da falta de entendimento da política de transporte urbano como direito social.

Como apóstolo São Paulo, o laicato da Igreja Católica é convocado a dar testemunho de missionariedade promovendo na vida integral de nossos irmãos e irmãs o direito à cidade.

CONSELHO DE LEIGOS DA ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO – CLASP

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