Ultima Publicação de João Batista Libanio “Migração e tráfico de seres humanos”

Migração e tráfico de seres humanos

A migração data do início da hominização. Os primeiros humanos se nomadizaram. Iam à cata de frutos selvagens e de caça. Esgotavam-se esses recursos, caminhavam então para frente. Assim viveram milhões de anos. Por volta dos anos 8000 a.C., acontece a revolução agrícola. O nômade se fixa no cultivo da terra e na domesticação de animais para o trabalho. Tal fato provoca o sedentarismo com moradia estável em aldeias.
Daí para frente a migração e a estabilidade disputam as pessoas. Sempre houve aventureiros que se lançaram a navegar pelos oceanos e a caminhar pelas terras. A sociedade rural, porém, manteve certa estabilidade. Vivia-se onde se trabalhava. As grandes movimentações aconteciam em momentos de catástrofes.
A revolução industrial desequilibrou a balança. Demandava mão de obra e começava a formar aglomerados urbanos. Esses atraiam cada vez mais os camponeses que migraram massivamente para as cidades. Até hoje o fenômeno continua. No Brasil, as metrópoles incham-se desordenadamente com o êxodo rural.
Somam vários fatores. As pessoas fogem da vida dura e penosa do campo. Não têm as comodidades que a vitrine urbana ostenta. Nas cidades, o trabalho, o melhor salário, as cores e luzes do consumismo e do prazer, as  chances culturais, a experiência de liberdade seduzem altamente. E as migrações aumentam.
O sistema capitalista industrial deslocou pessoas do campo, mas, de certa maneira, fixou-as na cidade. O êxodo se fazia contínuo do espaço rural para o urbano. A transformação do capitalismo por obra da eletrônica, informática, alta tecnologia está a produzir outro desequilíbrio. As massas urbanas caem no desemprego. E elas começam a mover-se das regiões, cidades, países e até continentes pobres para outros lugares que acenam para futuro melhor. Os habitantes de países ricos refugam trabalhos braçais, de baixo salário e sujos. Então contratam estrangeiros de países pobres para executá-los. De novo, voltam as migrações já de outra natureza.
Mais: o capitalismo neoliberal aumenta a brecha entre os Mundos Primeiro e Terceiro. Então gera imensas massas de miseráveis que se deslocam à busca de sobrevivência que não encontram onde moram. A Europa e a América do Norte surgem como a meca de tantos famintos. Mas elas cerram as fronteiras reforçando o policiamento contra os migrantes. Imensa tragédia humana que tende a crescer. O sistema econômico comete, ao mesmo tempo, dois crimes. Aumenta o número das vítimas e cerra-lhes as portas de saída.
Soma-se a essa monstruosidade social o nefando tráfico humano sexual que alimenta a vida perversa de grandes centros urbanos tanto nacionais como estrangeiros. Acenam a presas carentes o dinheiro fácil do comércio sexual. E a ética naufraga por todos os lados.

         João Batista Libânio        é teólogo jesuíta. Licenciado em Teologia em Frankfurt (Alemanha) e doutorado pela Universidade Gregoriana (Roma). É professor da FAJE (Faculdades Jesuítas), em Belo Horizonte. Publicou mais de noventa livros entre os de autoria própria (36) e em colaboração (56), e centenas de artigos em revistas nacionais e estrangeiras. Internacionalmente reconhecido como um dos teólogos da Libertação.

Análise de conjuntura social e eclesial aponta caminhos para as CEBs

 

Articuladores e assessores latino-americanos e caribenhos de CEBs, reunidos em Juazeiro do Norte (CE) se concentraram, na manhã desta segunda, dia 13, na análise de conjuntura social e eclesial, estudo apresentado pelo sociólogo Pedro A. Ribeiro de Oliveira, autor de obras como Fé e Política: fundamentos” (2004), Religião e dominação de classe (1985), entre outros.

“Vivemos neste início de século uma sensação difusa de mal-estar mundial: parece não haver lugar no mundo onde as pessoas vivam felizes”, afirmou Pedro de Oliveira. “Não por acaso, fala-se de crise de época como equivalente a decadência da civilização ocidental-cristã que desde a modernidade impôs ao mundo a subjetividade, a economia de mercado, o Estado soberano e a tecno-ciência”, completou.

Outra situação apontada pelo sociólogo é o esgotamento do “sistema mundo”, fundado na economia capitalista. Época de profundas transformações, mas também da caça às bruxas (e aos hereges) como na idade média. “Hoje são caçados terroristas, bandidos, traficantes e outros marginais vistos como responsáveis por esse mal-estar. É como se sua morte ou seu ‘apodrecimento’ na prisão fosse um sacrifício purificador para trazer de volta a tranquilidade do passado”, explicou referindo-se às tentativas de endurecer leis e reduzir a maioridade penal.

O pesquisador recordou que, “a economia de mercado, regida pela lei da oferta e da procura, tem como motor a promessa do lucro. Esta é a lógica do mercado: produzir para vender e vender para lucrar”. Em sequência explicou que a economia verde entrou na pauta da ONU como solução para a crise ambiental, mas na verdade “essa proposta cria um enorme campo de negócios para os investidores de capital”.

Segundo Pedro de Oliveira, a pesar da complexidade da situação, existe esperança. “A boa-notícia é anunciar que há salvação para a humanidade. Não é fácil, mas um outro mundo é possível. A Economia Solidária pode tornar-se a forma normal da economia e a sabedoria andina do Bem-viver pode ser a forma normal de organizar a sociedade humana ao reconhecer-se parte da grande comunidade de vida”, disse.

Para falar sobre a conjuntura eclesial, Pedro de Oliveira recorreu a um antigo conceito da sociologia o qual chamou de “desafeição” em oposição ao espírito de “pertença” do fiel à instituição religiosa. Segundo ele, esse par conceitual (desafeição e pertença) serve para entender a indiferença religiosa, a relação meramente funcional e o afastamento do fiel das práticas rituais.

“Ao analisar o que faz pertencer e o que faz se afastar me dei conta do que chamei de dimensão teologal. Muitos dizem que o que faz os fiéis se afastarem da Igreja é a falta de acolhida, as exigências da Igreja ou por que os pastores pentecostais fazem uma propaganda enganosa. Pesquisadores dizem haver uma disputa de mercado por adeptos. Só que religião não é como produto de consumo”, argumentou antes de apresentar a sua hipótese: “a crise é teologal”, ou seja, “é a própria concepção de fé católica que está em questão”.

Pedro de Oliveira conta que acompanhou uma pesquisa na arquidiocese de Belo Horizonte e percebeu que a questão chave é a concepção de missa. “Nos últimos 30 anos, nos habituamos com as celebrações dominicais sem padre e a entender a missa como a memória da Ceia de Jesus e não como um Santo Sacrifício. Ora, quando a gente vai ver o ritual da missa, ela é apresentada como sacrifício”, observou e explicou o que considera a principal razão da evasão dos católicos da Igreja.

O sacrifício só é necessário para a reparação dos pecados e eu desconfio que o nosso povo não tenha tanta consciência de ser pecador para fazer tanta reparação. Então, aquele ritual que é de sacrifício, não é entendido pelas pessoas que acabam se afastando. Nas CEBs o povo não faz muita diferença se é o padre que celebra a missa ou se são os ministros que fazem a celebração da Palavra e a distribuição da Eucaristia. O que importa é que o povo recebe o Corpo e o Sangue de Jesus como Ceia do Senhor. Para isso não precisa daquela tríade das grandes religiões: o tempo, o sacrifício e o sacerdote”, argumenta.

“Aqui temos uma desafeição teologal, por que, um dos princípios do catolicismo é que a Eucaristia faz a Igreja. O padre celebra a Eucaristia como sacrifício e se o povo participa da Eucaristia como Ceia, ou louvor, para pedir uma graça, cura e libertação, nós temos uma desafeição estrutural entre o clero e a massa dos leigos. Então se, neste momento, a massa se afastar da Igreja é normal”, concluiu.

Após a exposição, na parte da tarde, houve aprofundamento em grupo com contribuições na discussão da temática. Participam articuladores das CEBs vindos de Honduras, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Peru, Paraguai, Colômbia, Haiti, República Dominicana, Argentina, Brasil e Nicarágua. Estão presentes também representantes das Filipinas e Áustria.

15/01/2014 – notícias – Criado por: Jaime C. Patias

Fotos: jaime C Patias

 

13º Intereclesial de CEBs – @WebMail

 

“460 anos da Cidade de São Paulo”

O aniversário da maior cidade brasileira é marcado pelo dia da conversão de São Paulo. Paulo era um judeu pertencente ao grupo de religiosos fervorosos que pregavam a obediência absoluta da Lei para fortificar o povo de Deus e enfrentar o poder do império romano. Ele perseguia os cristãos por conta de que os seguidores de Jesus Cristo tinham a ilusão da misericórdia e isso enfraqueceria o movimento farisaico. Vivia, portanto, sob a cegueira cultural que o impedia de ver a realidade e o caminho proposto por Jesus Cristo e até que no caminho em direção a Damasco deparou-se com a cegueira física. Desconhecedor da proposta do Reino, violentava as pequenas comunidades de fé, amor e solidariedade.

Convertido se torna um grande apóstolo! Anunciador da Boa Nova em lugares não atingidos. Um homem de forte carisma e de uma coragem invejável! Homem que buscava sua condição de cidadão na terra e no céu. Por isso seu compromisso efetivo com as obras concretas da fé e a busca incansável pela salvação em Cristo.

Comemoramos 460 anos de fundação de uma cidade que foi ganhando, no desenrolar de sua história, projeções que a torna um país dentro de um imenso continente que é o Brasil. Fundada na data da conversão do apóstolo que lhe dá o nome.

Como Paulo, reconheçamos nossa cegueira pessoal, comunitária e sócio-política. A cegueira que invade nossa condição de pessoa humana. Somos cegos na cidadania e não vemos para além da nossa própria realidade ou mundinho.

Alguns, diante de tanto sofrimento e abandono, mergulham na cegueira coletiva e deixam-se levar pelo modismo do consumo e da indústria cultural para aliviar a escuridão em que se vive.

Ao celebrar os 460 anos da Cidade de São Paulo enfrentemos a cegueira pessoal e social para tornar a vida nesta grande metrópole num sinal da construção do Reino. Muitos clamam por visibilidade:

– os homens e mulheres escravizados pelas regras do mercado, levados a trabalhar pela sobrevivência, desviados das condições da vida em plenitude;

– os homens e mulheres em situação de dependência química espalhados por cracolândias visíveis e invisíveis;

– as crianças e adolescentes que estão abandonados, sem oportunidade de uma família ou de políticas públicas;

– os homossexuais que são violentados por preconceito e discriminação;

– os jovens que anseiam por espaços de lazer e cultural, promovendo seus rolezinhos em espaços de consumo e, por isso, são tolhidos de forma violenta pela força policial;

– a população de idosos e idosas, que é crescente em nossas comunidades e anseiam por políticas para além da recreação e lazer, como acessibilidade e inclusão;

– a situação da população carcerária que vive numa estrutura penitenciária crescente de violência em detrimento da ressocialização; e

– a mobilidade humana, que é inviável numa cidade como a nossa por conta do número crescente de carros e da falta de entendimento da política de transporte urbano como direito social.

Como apóstolo São Paulo, o laicato da Igreja Católica é convocado a dar testemunho de missionariedade promovendo na vida integral de nossos irmãos e irmãs o direito à cidade.

CONSELHO DE LEIGOS DA ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO – CLASP

“Mensagem do papa para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações”

“Vocações, testemunho da verdade” 

Amados irmãos e irmãs!

1. Narra o Evangelho que «Jesus percorria as cidades e as aldeias (…). Contemplando a multidão, encheu-Se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. Disse, então, aos seus discípulos: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe”» (Mt 9, 35-38). Estas palavras causam-nos surpresa, porque todos sabemos que, primeiro, é preciso lavrar, semear e cultivar, para depois, no tempo devido, se poder ceifar uma messe grande. Jesus, ao invés, afirma que «a messe é grande». Quem trabalhou para que houvesse tal resultado? A resposta é uma só: Deus. Evidentemente, o campo de que fala Jesus é a humanidade, somos nós. E a ação eficaz, que é causa de «muito fruto», deve-se à graça de Deus, à comunhão com Ele (cf. Jo 15, 5). Assim a oração, que Jesus pede à Igreja, relaciona-se com o pedido de aumentar o número daqueles que estão ao serviço do seu Reino. São Paulo, que foi um destes «colaboradores de Deus», trabalhou incansavelmente pela causa do Evangelho e da Igreja. Com a consciência de quem experimentou, pessoalmente, como a vontade salvífica de Deus é imperscrutável e como a iniciativa da graça está na origem de toda a vocação, o Apóstolo recorda aos cristãos de Corinto: «Vós sois o seu [de Deus] terreno de cultivo» (1 Cor 3, 9). Por isso, do íntimo do nosso coração, brota, primeiro, a admiração por uma messe grande que só Deus pode conceder; depois, a gratidão por um amor que sempre nos precede; e, por fim, a adoração pela obra realizada por Ele, que requer a nossa livre adesão para agir com Ele e por Ele.

2. Muitas vezes rezamos estas palavras do Salmista: «O Senhor é Deus; foi Ele quem nos criou e nós pertencemos-Lhe, somos o seu povo e as ovelhas do seu rebanho» (Sal 100/99, 3); ou então: «O Senhor escolheu para Si Jacob, e Israel, para seu domínio preferido» (Sal 135/134, 4). Nós somos «domínio» de Deus, não no sentido duma posse que torna escravos, mas dum vínculo forte que nos une a Deus e entre nós, segundo um pacto de aliança que permanece para sempre, «porque o seu amor é eterno!» (Sal 136/135, 1). Por exemplo, na narração da vocação do profeta Jeremias, Deus recorda que Ele vigia continuamente sobre a sua Palavra para que se cumpra em nós. A imagem adotada é a do ramo da amendoeira, que é a primeira de todas as árvores a florescer, anunciando o renascimento da vida na Primavera (cf. Jr 1, 11-12). Tudo provém d’Ele e é dádiva sua: o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro, mas – tranquiliza-nos o Apóstolo – «vós sois de Cristo e Cristo é de Deus» (1 Cor 3, 23). Aqui temos explicada a modalidade de pertença a Deus: através da relação única e pessoal com Jesus, que o Batismo nos conferiu desde o início do nosso renascimento para a vida nova. Por conseguinte, é Cristo que nos interpela continuamente com a sua Palavra, pedindo para termos confiança n’Ele, amando-O «com todo o coração, com todo o entendimento, com todas as forças» (Mc 12, 33). Embora na pluralidade das estradas, toda a vocação exige sempre um êxodo de si mesmo para centrar a própria existência em Cristo e no seu Evangelho. Quer na vida conjugal, quer nas formas de consagração religiosa, quer ainda na vida sacerdotal, é necessário superar os modos de pensar e de agir que não estão conformes com a vontade de Deus. É «um êxodo que nos leva por um caminho de adoração ao Senhor e de serviço a Ele nos irmãos e nas irmãs» (Discurso à União Internacional das Superioras Gerais, 8 de maio de 2013). Por isso, todos somos chamados a adorar Cristo no íntimo dos nossos corações (cf. 1 Ped 3, 15), para nos deixarmos alcançar pelo impulso da graça contido na semente da Palavra, que deve crescer em nós e transformar-se em serviço concreto ao próximo. Não devemos ter medo: Deus acompanha, com paixão e perícia, a obra saída das suas mãos, em cada estação da vida. Ele nunca nos abandona! Tem a peito a realização do seu projeto sobre nós, mas pretende consegui-lo contando com a nossa adesão e a nossa colaboração.

3. Também hoje Jesus vive e caminha nas nossas realidades da vida ordinária, para Se aproximar de todos, a começar pelos últimos, e nos curar das nossas enfermidades e doenças. Dirijo-me agora àqueles que estão dispostos justamente a pôr-se à escuta da voz de Cristo, que ressoa na Igreja, para compreenderem qual possa ser a sua vocação. Convido-vos a ouvir e seguir Jesus, a deixar-vos transformar interiormente pelas suas palavras que «são espírito e são vida» (Jo 6, 63). Maria, Mãe de Jesus e nossa, repete também a nós: «Fazei o que Ele vos disser!» (Jo 2, 5). Far-vos-á bem participar, confiadamente, num caminho comunitário que saiba despertar em vós e ao vosso redor as melhores energias. A vocação é um fruto que amadurece no terreno bem cultivado do amor uns aos outros que se faz serviço recíproco, no contexto duma vida eclesial autêntica. Nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si. A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno. Porventura não disse Jesus que «por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 35)?

4. Amados irmãos e irmãs, viver esta «medida alta da vida cristã ordinária» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31) significa, por vezes, ir contra a corrente e implica encontrar também obstáculos, fora e dentro de nós. O próprio Jesus nos adverte: muitas vezes a boa semente da Palavra de Deus é roubada pelo Maligno, bloqueada pelas tribulações, sufocada por preocupações e seduções mundanas (cf. Mt 13, 19-22). Todas estas dificuldades poder-nos-iam desanimar, fazendo-nos optar por caminhos aparentemente mais cômodos. Mas a verdadeira alegria dos chamados consiste em crer e experimentar que o Senhor é fiel e, com Ele, podemos caminhar, ser discípulos e testemunhas do amor de Deus, abrir o coração a grandes ideais, a coisas grandes. «Nós, cristãos, não somos escolhidos pelo Senhor para coisas pequenas; ide sempre mais além, rumo às coisas grandes. Jogai a vida por grandes ideais!» (Homilia na Missa para os crismandos, 28 de Abril de 2013). A vós, Bispos, sacerdotes, religiosos, comunidades e famílias cristãs, peço que orienteis a pastoral vocacional nesta direção, acompanhando os jovens por percursos de santidade que, sendo pessoais, «exigem uma verdadeira e própria pedagogia da santidade, capaz de se adaptar ao ritmo dos indivíduos; deverá integrar as riquezas da proposta lançada a todos com as formas tradicionais de ajuda pessoal e de grupo e as formas mais recentes oferecidas pelas associações e movimentos reconhecidos pela Igreja» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31).

Disponhamos, pois, o nosso coração para que seja «boa terra» a fim de ouvir, acolher e viver a Palavra e, assim, dar fruto. Quanto mais soubermos unir-nos a Jesus pela oração, a Sagrada Escritura, a Eucaristia, os Sacramentos celebrados e vividos na Igreja, pela fraternidade vivida, tanto mais há de crescer em nós a alegria de colaborar com Deus no serviço do Reino de misericórdia e verdade, de justiça e paz. E a colheita será grande, proporcional à graça que tivermos sabido, com docilidade, acolher em nós. Com estes votos e pedindo-vos que rezeis por mim, de coração concedo a todos a minha Bênção Apostólica.

Vaticano, 15 de Janeiro de 2014

Francisco

CEBI – Centro de Estudos Bíblicos
http://www.cebi.org.br

CARTA DO 13º INTERECLESIAL DAS CEBs AO PAPA FRANCISCO

11/01/2014 – notícias – Criado por: Secretariado do 13ª Intereclesial. 

Querido irmão, bispo de Roma e pastor primaz da unidade, Papa Francisco,

Nós, cristãos e cristãs, leigos das comunidades eclesiais de base, agentes de pastoral, religiosos/as, diáconos, padres e bispos, assim como irmãos de Igrejas evangélicas e de outras tradições religiosas. Também tivemos conosco nesse encontro representantes de povos indígenas, quilombolas e ainda irmãos e irmãs, vindos de outros países da América Latina e Caribe, assim como de outros continentes. Todos nós que participamos do 13º Encontro intereclesial das comunidades eclesiais de base queremos expressar ao senhor nosso agradecimento pela bela e profunda carta que nos enviou e foi lida no início desse encontro. Sua carta nos chegou como uma luz a iluminar o caminho, reacendendo em nós a esperança numa Igreja, Povo de Deus.

Aproveitamos a oportunidade para nos unir ao seu esforço por renovar as Igrejas da comunhão católico-romana, de acordo com a teologia e a espiritualidade do Concílio Vaticano II, relidas e atualizadas pelas necessidades do mundo atual e pela urgência de que nós, cristãos, escutemos “o que o Espírito diz hoje às Igrejas” (Cf. Ap 2, 7).

Percebemos que a maioria da humanidade acolhe com gratidão o seu testemunho de homem de profunda simplicidade e que se revela discípulo de Jesus na linha do evangelho. Nós lhe agradecemos por fazer do ministério papal uma profecia contra a economia de exclusão, que hoje domina o mundo e defender os migrantes e clandestinos pobres da África e de outros continentes. Igualmente lhe agradecemos por reconhecer o papel da mulher na caminhada eclesial e esperamos que essa reflexão seja aprofundada.

Aqui em Juazeiro do Norte, CE, diocese de Crato, as comunidades eclesiais de base reafirmam sua vocação, no jeito de ser Igreja das primeiras comunidades e também no espírito das missões populares e das casas de caridade do Padre Ibiapina, do padre Cícero Romão Batista, do leigo José Lourenço, assim como de tantas mulheres santas como Maria Araújo, irmãos e irmãs que nos precederam nesse caminho de sermos Igreja dos pobres e com os pobres, cebs romeiras do campo e da cidade, na comunhão com a Mãe Terra e toda a natureza. Aqui, acolhemos e nos solidarizamos com os povos indígenas, ameaçados no seu direito à posse de suas terras ancestrais e todos os dias vítimas de violência e até de assassinato. Também nos impressionou o relato de extermínio de jovens pobres e negros, em várias regiões do nosso país. E nos solidarizamos com a luta e resistência dos quilombolas e do povo lavrador, ameaçados pelos grandes projetos do Capitalismo depredador do ambiente e injusto para com a maioria da humanidade.

Entre suas palavras e gestos, algo que nos toca muito de perto é o fato do senhor se apresentar como bispo de Roma e primaz da unidade das Igrejas. Essa atitude básica permitirá retomar o reconhecimento que o Concílio Vaticano II fez da plena eclesialidade das Igrejas locais e encontrar a profunda verdade que esse nosso encontro quer expressar, ao se chamar “intereclesial” de Cebs: um encontro de igrejas locais, reunidas a partir das comunidades eclesiais de base e desse modo da Igreja ser. Conte conosco nesse caminho e que Deus o ilumine e o fortaleça sempre.

Despedimo-nos, nos comprometemos de sempre orar pelo senhor e por todas as suas intenções. Pedimos sua bênção apostólica e nos colocamos à sua disposição para vivermos juntos a justiça e a profecia a serviço da vida. Na festa do Batismo de Jesus de 2014.

13 Encontro Intereclesial das CEBs, Juazeiro do Norte, Ceará, 11 de janeiro de 2014.

Minha fé é política porque ela não suporta separação entre o corpo de Jesus e o corpo de um irmão.

Minha fé é política porque crê que a economia pode mudar um dia e ser toda solidária.

Minha fé é política porque acredito na juventude, na sua força e inquietude, no seu poder de diferença

e na força da velhice que com sua sabedoria e experiencia ainda tem muito a colaborar, para um país justo, igualitário sem tantas injustiças sociais..

Pastoral Fé e Política

Arquidiocese de São Paulo

A partir de Jesus Cristo em busca do bem comum

www.pastoralfp.com

http://pastoralfp.blogspot.com

CONSELHO DE LEIGOS DA REGIÃO EPISCOPAL BRASILÂNDIA

Amigos do laicato da nossa Região Episcopal Brasilândia.

Neste início de ano que já vai transcorrendo desejamos a todos um ano cheio de paz, amor, saúde e alegrias e, sobretudo, muita luta e coragem para continuar a nossa caminhada na construção do Reino De Deus. Virando mais uma página de nossa história, podemos ver que caminhamos rumo ao nosso objetivo, mas, muito ainda tem que ser realizado. Desde o início da nossa caminhada como Grupo de Articulação até a criação do Conselho de Leigos aqui na nossa região obtivemos algumas conquistas significantes e um avanço em nossa conscientização do nosso papel na Igreja e no mundo.

Pudemos constatar neste período de caminhada que o percurso não é fácil, exigindo de nossa parte coragem e comprometimento com a nossa luta e nossos princípios. Se por um lado pudemos perceber que há dificuldade, como não poderia ser diferente quando se tratam de envolvimento, conscientização e comprometimento a partir da proposta de Jesus no Evangelho, tivemos a alegria de contar com a colaboração de muitos que acreditaram e incentivaram nosso trabalho.

Se ainda não conseguimos alavancar a nossa participação nos diversos segmentos e movimentos do laicato em nossa região, conseguimos com o apoio de Dom Milton, e de muitos leigos e leigas, estabelecer a nossa participação e representatividades efetivas nestes dois últimos anos, no CLASP e no CNLB Regional Sul 1, inclusive com a eleição de dois integrantes do nosso Conselho na Diretoria do CLASP na última AGO (Assembléia Geral Ordinária) em Junho de 2013. Parte das atividades de representação são as participações nas Assembléias Ordinárias no Regional Sul 1 e nas reuniões do CLASP e da equipe de Formação do CLASP onde temos dois representantes.

Apoio importante, que nos possibilitou uma experiência nova e muito interessante, foi o espaço cedido ao CNLB Brasilândia pelo pessoal da PASCOM e Rádio Cantareira que nos abriu uma porta importante para divulgação do nosso trabalho e das idéias do CNLB dando-nos maior visibilidade. Por meio dos integrantes da Coordenação Ampliada do CNLB Brasilândia participamos de vários programas da grade da Rádio Cantareira, no Programa Espaço das Comunidades, que vai ao ar todas as Terças-Feiras as 18h00. Neste espaço tivemos a oportunidade de discutirmos alguns assuntos pertinentes ao laicato e à sua atuação na sociedade e na Igreja. Nosso muito obrigado ao Padre Cilto, Juçara e Anderson pelo apoio e incentivo nesta nova experiência para nós leigos e leigas da Região Brasilândia.

Em meados de Novembro em nossa AGO realizada no Setor SJO, com a presença de leigos dos setores, pastorais e movimentos, reiteramos a permanência, agora por três anos, da Comissão Provisória eleita na AGO de Março de 2013 quando da criação do CNLB Brasilândia. Na oportunidade aprofundamos o estudo do documento do Vaticano II, Lumen Gentium, conforme proposta do 12º Plano de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo para o ano de 2013 e Plano Quadrienal do CLASP 2013-2016.

Nossa meta para este ano é intensificar a nossa participação no CLASP e no Regional SUL 1, garantindo assim nossa participação e representatividade tanto nas Assembléias como nas formações e encontros promovidos pelo CLASP e pelo Regional SUL 1. Procurar também aperfeiçoar e abrir a participação nos programas da Rádio Cantareira para os demais movimentos e pastorais a fim de divulgarmos a participação e o trabalho do laicato na região.

Outra questão importante para 2014 é a nossa participação na articulação das Pastorais Sociais da Região Brasilândia, onde junto com as demais lideranças das Pastorais Sociais e demais Movimentos de Luta e Participação, reafirmamos nossa condição de leigos e leigas, e nosso protagonismo numa Igreja crítica e participativa em diálogo com as demais denominações religiosas na busca do diálogo e do fortalecimento de nossas comunidades.

Finalmente salientamos nosso desejo de, por meios das mídias sociais, como fazemos agora neste blog, abrirmos espaço para a participação dos que puderem nos ajudar enriquecendo o debate para uma conscientização cada vez maior dos leigos e leigas de nossas comunidades.

Colocando nosso trabalho e nossa luta nas mãos de Nossa Mãe Aparecida, rogamos a Deus que nos conceda a força do Espírito Santo e a Graça do Amor de Seu Filho Jesus.

Grande abraço a todos e fiquem com Deus.

Contribuições de matérias favor enviarem para o e-mail:

falajuventude@ig.com.br

Coordenação Ampliada do CNLB Brasilândia – 01/14